SindusCon-SP em Ação
Em 2008, construção terá o maior PIB dos últimos anos
SindusCon-SP estima crescimento de 7,9% da construção em 2007 e de 10,2% em 2008
O excelente desempenho dos financiamentos imobiliários, com recursos que superaram em muito os desembolsos de 2006, surpreendeu até os próprios empresários da construção civil e será o principal responsável pelo crescimento de 7,9% do PIB do setor em 2007, considerando-se um ambiente em que o PIB nacional fique em 4,7%. “O setor está em um crescimento sustentado, nada a ver com uma bolha ou algo especulativo. Depois de um longo período de estagnação assistimos a um avanço acelerado que deve continuar em 2008”, projetou o presidente do SinduCon-SP, João Claudio Robusti, na entrevista coletiva à imprensa realizada no início de dezembro.
Para 2008, Robusti prevê que a evolução do PIB da construção deverá permanecer subindo “a taxas chinesas” e crescer 10,2%, se o PIB do Brasil aumentar 4,8%. A expectativa leva em conta um cenário de continuidade do crescimento da oferta de crédito imobiliário e a perspectiva de liberação dos recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Estamos prevendo financiamentos imobiliários da ordem de R$ 21 bilhões com recursos da Poupança para 2008”, disse Robusti, que espera fechar o ano com a aplicação de R$ 18 bilhões.
A força desse momento pode ser comprovada pelos dados recentes do emprego formal no setor, que acumulou quase 200 mil novas vagas no país até setembro, alcançando 1,75 milhão de trabalhadores.
A indústria de materiais de construção também dá indicações desta alta. O consumo de cimento no acumulado deste ano até setembro, por exemplo, subiu 8,4% sobre o mesmo período de 2006. Nesta base de comparação, as vendas de vergalhão cresceram 12,2% e o número de lançamentos na Região Metropolitana de São Paulo avançou 44,9%.
Por tudo isso, o SindusCon-SP acredita que o setor ganhará espaço na formação do PIB brasileiro, saindo de 4,5% para 5,5% do total do PIB nacional.

Ao lado do diretor de Economia do sindicato, Eduardo Zaidan, e da consultora da FGV Projetos, Ana Maria Castelo, o presidente do SindusCon-SP observou que, em 2007, o crédito imobiliário foi vigoroso a ponto de compensar com sobras o fraco desempenho dos desembolsos previstos para 2007 no âmbito do PAC. Segundo ele, embora o volume de recursos do Orçamento da União empenhados em 2007 para o PAC tenha sido 20% superior ao total de todo o ano anterior, a demora na aprovação dos projetos fez com que somente R$ 1,9 bilhão fosse materializado no ano.
“O mercado imobiliário cresceu mais do que esperávamos e o PAC não teve grande efeito”, disse Robusti. “Imaginávamos que o dinheiro do PAC pudesse se igualar ao do mercado de imóveis em 2007. Isso não aconteceu.”
A expectativa de que os investimentos do PAC finalmente deslanchem em 2008 é um dos motivos para o cenário otimista da construção civil para o próximo ano.
Demanda forte
O aumento no nível de emprego é o principal reflexo do crescimento do mercado imobiliário que, neste ano, viu o volume do crédito imobiliário ofertado pelos bancos com recursos da Poupança (Sistema SBPE) subir 86% e passar para R$ 14,6 bilhões, de janeiro a outubro de 2007, contra os R$ 7,6 bilhões do mesmo período de 2006. O número de unidades habitacionais financiadas, que nos dez primeiros meses de 2006 havia sido de 92 mil; agora, passou para 155,8 mil.
Para o SindusCon-SP, o forte desempenho do mercado imobiliário tem tudo para permanecer por mais tempo, se foram confirmadas as expectativas positivas para o Brasil, de uma demanda maior causada pelo aumento da massa salarial e do crédito, além da continuidade do efeito da queda nas taxas de juros.
Entretanto, em 2008 não deverá perdurar o forte ritmo de aberturas de capital do setor, afirmou Eduardo Zaidan. Até outubro, 12 companhias ofertaram R$ 8 bilhões em papéis na Bovespa. “A captação de recursos no próximo ano deve se virar para o lançamento de debêntures [títulos de dívida privada] ou para os CRIs [Certificados de Recebíveis Imobiliários]”, apontou.

Cimento e engenheiros
De fato, os empresários da construção mostram-se mais otimistas do que nunca, como revelaram os resultados da 33ª Sondagem Nacional da Construção, realizada pelo SindusCon-SP em parceria com a FGV Projetos e divulgada durante o encontro com os jornalistas. Em geral, os indicadores da pesquisa de novembro melhoraram sobre o mesmo mês do ano passado. Numa escala de 0 a 100, a perspectiva de desempenho das empresas cravou 59,9 pontos. Há um ano, o mesmo indicador era de 52 pontos. A situação atual das empresas também rompeu a barreira do pessimismo (46,4, em novembro do ano passado) para uma visão otimista (desta vez, 55 pontos).
Mas os empresários ainda prevêem aumento dos custos da construção e preocupam-se com a falta de mão-de-obra qualificada, vista como um grande problema para o setor. Robusti admitiu a falta de empregados qualificados na construção de imóveis para alta renda, o que não ocorre em construções “mais simples”, e a recente disputa “no tapa” por engenheiros. “Todas as empresas questionadas sobre mão-de-obra disseram que estão garantindo o cumprimento dos cronogramas de obra. Elas mesmas qualificam seus funcionários, seja por iniciativas próprias ou através de parcerias que o sindicato mantém com o Senai”, afirmou. Entre as ações do SindusCon-SP neste sentido, Robusti destacou a futura abertura, no início de 2008, em Bauru, da segunda Escola da Construção Civil.
A compra de materiais é outra história. Apesar de reconhecer os investimentos da indústria de cimento para aumentar a produção, Zaidan alertou que o preço do insumo “está no limite”. Segundo ele, caso o custo do material no mercado interno suba demais, as construtoras não hesitarão em partir para a importação. O diretor também comentou que o SindusCon-SP deve continuar colaborando com o governo federal contra a formação de eventuais cartéis. “A nossa representação contra o aço foi vitoriosa”, lembrou. O atual alvo do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) são as cimenteiras.
Outro grande desafio do setor é a erradicação do déficit habitacional, de cerca de 7,9 milhões de moradias, sem descuidar da demanda futura, que, segundo estudo do SindusCon-SP e da FGV Projetos, verá o número de famílias no Brasil crescer das atuais 57,4 milhões para 82,3 milhões em 2020. “Até lá, deveremos ter no país mais 25 milhões de famílias, se a renda per capita crescer 2,6% ao ano. Se nada for feito para estimular a produção de habitação popular, o déficit poderá crescer a 9,5 milhões de moradias”, alertou Robusti. |