Economia

Emprego na indústria da construção pode crescer

Mas desempenho das construtoras neste ano ainda deve cair, avalia a FGV no SindusCon-SP

Por Rafael Marko 06/03/2018 12:29:50

O PIB da construção deve crescer 1,1% em 2018, na estimativa da Fundação Getulio Vargas (FGV) apresentada em 6 de março, na Reunião de Conjuntura do SindusCon-SP. Abrindo esta estimativa, o segmento das construtoras ainda poderá sofrer uma ligeira queda, de 0,6%, enquanto o segmento de autoconstrução e consumo das famílias deverá crescer 3,5%. Não obstante a queda do PIB das construtoras, o modelo econométrico utilizado pela FGV aponta que o nível de emprego formal do setor poderá crescer até 3% neste ano.

Ao apresentar estes dados e previsões, a economista Ana Maria Castelo, coordenadora da FGV/IBRE explicou que grande parte do aumento do emprego deverá vir de contratações de pequenas e médias empresas, principalmente aquelas responsáveis pelas cerca de 500 mil unidades habitacionais contratadas no ano passado pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Os segmentos da construção têm peso diferente na evolução do nível de emprego. Além disso, corroboram a previsão de aumento do emprego as expectativas dos empresários de elevação das contratações nos próximos meses e a “despiora” na situação atual das empresas – percepções captadas pela Sondagem da Indústria da Construção da FGV.

Coordenando a reunião, o vice-presidente de Economia do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan, observou que há um relativo crescimento quando se compara uma queda do PIB das construtoras de 6,8% em 2017 com uma estimativa de queda de apenas 0,6% para 2018.

Ana Maria assinalou ainda que o cenário para a construção como um todo ainda é desfavorável, pois projeções de crescimento futuro se dão sobre uma base muito baixa. E que a queda de 0,6% do produto das empresas pode até se reverter em aumento de 0,6%, na remota hipótese de ocorrer um volume expressivo de obras rodoviárias no segundo semestre.

Para a construção como um todo, acrescentou a economista, o mais provável é que a recuperação prossiga, porém em ritmo lento. “Se o setor mantiver o ritmo de crescimento em 1,1%, ainda serão necessários sete anos até a retomada do desempenho existente antes da crise”, destacou. Ela ainda lembrou que, diante da crise fiscal e política, a perspectiva futura para o setor dependerá da política econômica do próximo governo a ser eleito.

Conjuntura
O consumo ainda deve prevalecer como base para o crescimento do setor da construção, analisou na reunião o professor da FGV, Robson Gonçalves. Segundo ele, o quadro de indefinição política com inflação e juros baixos alicerça o consumo, mas é insuficiente para alavancar investimentos. “Faltam perspectivas de longo prazo de retorno dos investimentos. Por isso, ainda deve prevalecer que 66% do crescimento do PIB se deva ao consumo”, afirmou.

Gonçalves alertou que o volume de investimentos estrangeiros que vêm ingressando no país é de aquisição de empresas brasileiras por fundos de outros países, mas ainda sem expansão da capacidade produtiva. “Sem isto, corremos o risco de uma demanda cada vez maior desacompanhada do correspondente aumento da oferta, o que resultará em novo crescimento da inflação.”

O professor da FGV preconizou uma mudança do atual modelo de financiamento calcado sobre o FGTS e o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que dá mostras de se esgotar, para um modelo que atraia recursos privados, principalmente estrangeiros. Ana Maria lembrou que não vingaram as alternativas criadas para atrair o capital privado, como o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI) e a Letra Imobiliária Garantida (LIG), em razão dos problemas microeconômicos como a burocracia nos licenciamentos, o que diminui a produtividade. Entretanto, lembrou a importância de o FGTS financiar a Habitação de Interesse Social. “Se os recursos do Fundo fossem direcionados somente para essa finalidade, conseguiríamos sanar o déficit habitacional”, afirmou.

Zaidan reforçou esses pontos, assinalando que a economia brasileira continua padecendo cronicamente: “Sempre mais de um dos quatro fundamentos – inflação, juros, câmbio e equilíbrio fiscal – estão fora de lugar. Por isso não se consegue a previsibilidade necessária para o mercado privado financiar a construção. Daí que nos apoiamos em muletas, como desonerações e o direcionamento dos recursos do FGTS e da Poupança, em vez de realizar uma cirurgia que arrume esses fundamentos”.









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